Uma janela sobre o mundo bíblico

Já que existem tantos textos religiosos da época de Jesus e anteriores a ele, por que eles não estão dentro da Bíblia?



  • Pergunta de Marilia Lattarini, Santo Antonio do Jardim
  • 2009
  • 05/11/2014
Luiz da Rosa

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Certamente a Bíblia não é o primeiro livro de carácter religioso escrito na história da humanidade. Há muito tempo antes da Bíblia, nas populações da Mesopotâmia e também do Egito, textos religiosos explicavam como o mundo foi criado, como o rei tinha dignidade divina, etc (veja, por exemplo, o Poema de Enuma Elish). Eram textos que fundamentavam a fé do povo ao qual se destinavam. Em Ebla, por exemplo, foram descobertos textos religiosos escritos 2.400 anos antes de Cristo. Mas também a literatura chinesa é muito antiga. Os textos de Shu Ching, que poderiam ter sido escritos por Confúcio, são de vários séculos antes de Cristo.

E mesmo no contexto do povo judeu, há vários textos que não entraram na Bíblia. O Livro de Henoc, por exemplo, tinha muita fama e influenciou muita a teologia judaica e inclusive cristã, mas não entrou na lista dos livros bíblicos. O mesmo aconteceu com vários textos cristãos, que tinham fama em algumas comunidades, mas no final não foram incluídos dentro da lista (cânon) da Bíblia.

Em relação aos textos hebraicos e cristãos, conhecidos como apócrifos, responder por que eles não entraram na lista oficial não é tão simples.

 

O Cânon da Bíblia - Lista de livros bíblicos

O processo que conduziu à formação da Bíblia é complexo. Primeiro de tudo é preciso dizer que os livros que aparecem nas diferentes Bíblias estão ali porque foram considerados como inspirados, divinos, pelos respectivos grupos que defendem tais bíblias. A lista de livros que forma cada uma das bíblias é chamada Cânon. Existe o cânon católico, aquele protestante e ainda outros. O cânon é fruto de uma decisão que foi tomada em um determinado período histórico. Os judeus, por exemplo, definiram a lista oficial dos livros da sua Bíblia somente cerca do ano 100 depois de Cristo. Aceitaram como inspirados apenas os livros escritos em hebraico e por isso na Bíblia Hebraica, que coincide com o nosso Antigo Testamento, não encontramos livros escritos em grego, tais como Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc e mais alguns trechos de Daniel, Ester e Jeremias. Esses 7 livros já existiam no tempo de Cristo, mas a discussão para saber se eram inspirados ou não ainda não havia terminada. Os cristãos demoraram muito tempo para estabelecer a sua lista (cânon). Em linhas gerais, quanto ao Antigo Testamento, foram aceitos os 39 livros definidos pela lista dos judeus e ainda os 7 livros apenas citados, escritos em grego. Quanto aos livros do Novo Testamento, a discussão foi veemente no que se refere sobretudo aos livros do Apocalipse e da Carta aos Hebreus, mas com o tempo também eles entraram na lista e assim se formou o conjunto de 27 livros. Todavia, para exemplificar o problema, no final do Século IV uma parte considerável da Igreja Oriental utilizava um Novo Testamento que continha apenas 22 livros, onde não compareciam as cartas 2Pedro, 2 e 3João e Judas e também o Apocalipse. A decisão final da igreja católica foi tomada somente no Concílio de Trento, em 1546. Essa lista contém 46 livros no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento. As igrejas ortodoxas orientais fixaram a sua lista no sínodo de Jerusalem, em 1676 e é praticamente igual àquela católica. Porém em 1950, o santo sínodo da igreja ortodoxa acrescentou a esta lista os livros 3Macabeus, 4Macabeus e o salmo 151. Os cristãos da Etiópia incluem no Novo Testamento Sínodo, Livro da aliança, três cartas de Clemente e a Didascalia. Os protestantes, por sua vez, nuncam tomaram uma decisão sobre a sua lista. Isto por que não têm uma autoridade universal capaz de falar em nome de todos os ramos. Porém, normalmente, nas edições modernas são excluídos do Antigo Testamento os livros que não fazem parte da Bíblia Hebraica: Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc. Os protestantes chamam esses livros de apócrifos e os católicos os denominam deuterocanônicos, para diferenciar dos protocanônicos, que entraram por primeiro no cânon. Para os católicos os apócrifos, invés, são livros que não foram incluídos na Bíblia. Esses são chamados de pseudo-epígrafe pelos protestantes. O Novo Testamento dos protestantes, invés, é idêntico aquele dos católicos e consta de 27 livros. Feita a soma, como já dissemos acima, a Bíblia católica tem 73 livros enquanto aquela dos protestantes tem 66.

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