Uma janela sobre o mundo bíblico

Deus mata? E se ele mata transgride a própia lei (não matarás!). Então se torna também pecador, visto que Tiago 2,10 diz que quem obedece a toda a lei, mas tropeça em apenas um ponto torna-se culpado de quebrá-la interamente!



  • Pergunta de Gustavo Angel, Esplanada, Bahia
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  • 20/12/2014
Luiz da Rosa

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Obviamente Deus não mata. Ele é, por natureza, criador. Faz parte da sua natureza dar vida e não tirá-la. Todo sinal de morte ou a própria morte é causada pelo pecado, pela fraqueza humana.

É óbvio que a afirmação acima contrasta com diversos textos bíblicos que ordenam a morte, em nome de Deus, de pessoas simplesmente porque estão em certas condições. Por exemplo, é famoso o caso de Saul (veja 1Samuel 15), que poupa a vida de um dos adversários conquistado numa batalha. Segundo Samuel, essa pessoa devia ter sido morta. Por não a ter matado, Saul será punido e perderá a graça, segundo a Bíblia, e será substituído por Davi.

Paralelo a esse caso de Saul, há vários exemplos de textos onde muitas pessoas são mortas presumivelmente em nome de Deus. Obviamente é natural que nos preguntamos como é possível que um Deus que, como afirmado acima, promove a vida, possa matar.

 

Entendendo a violência na Bíblia

Penso que, em relação a este aspecto, os biblistas nunca souberam transmitir bem a mensagem bíblica e os leitores, por outro lado, são pouco atentos em ouvir a vontade de Deus.

O elemento mais importante para nos aproximar dessa questão é entender bem o fato da revelação de Deus à humanidade, através do povo eleito, através dos hebreus. Muitas religiões, como os judeus e cristãos, têm seus livros sagrados. Todavia, a Bíblia não é um livro ditado por Deus, da noite pro dia. É livro escrito durante quase um milênio, que conta, com palavras humanas, um processo histórico vivido entre duas realidades: Deus e o Povo Eleito. Esse processo é muito parecido com um namoro: os dois se conhecem, um se revela ao outro. A percepção que um tem do outro muda, cresce, se ilumina, fica transparente. Mas, repetindo, não acontece do dia para a noite. Um tem uma impressão limitada do outro, que aos poucos se esclarece.

Aplicando esse processo à caminhada de Israel podemos dizer que os hebreus, no início, julgavam Deus de uma certa maneira e, aos poucos, foram mudande o próprio juízo. No começo pensavam que era Deus que os guiava nas batalhas, que comandava a morte dos inimigos, mas mais tarde descobriram que isso era incoerente. Já os profetas não toleram a violência, mas sobretudo no Novo Testamento fica evidente que Deus quer que todos tenham vida, e vida em abundância (João 10,10).

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