Uma janela sobre o mundo bíblico

Gostaria de saber sobre o purgatório, sobre o qual os católicos falam. Já li a Bíblia e não encontrei menção a ele. Gostaria que vocês falassem sobre isso, onde está na Bíblia dos católicos.



  • Pergunta de Daniel, Xique Xique, Bahia
  • 3031
  • 26/01/2015
Luiz da Rosa

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Para os católicos, purgatório e um estado onde a pessoa é purificada antes de entrar no céu. Isso se baseia na afirmação que os somente os puros entram no céu e as pessoas pecadoras, que morrem arrependidas do próprio pecado, destinadas ao céu, não podem entrar sem antes passar por um purgamento que lhe prepara para ver Deus face a face.

O Catecismo da Igreja Católica, onde estão explicadas todas os elementos da fé católica, diz nos parágrafos 1030;1032:

1030. Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu.

1031. A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativamente ao Purgatório sobretudo nos concílios de Florença (622) e de Trento (623). A Tradição da Igreja, referindo-se a certos textos da Escritura (624) fala dum fogo purificador:

«Pelo que diz respeito a certas faltas leves, deve crer-se que existe, antes do julgamento, um fogo purificador, conforme afirma Aquele que é a verdade, quando diz que, se alguém proferir uma blasfémia contra o Espírito Santo, isso não lhe será perdoado nem neste século nem no século futuro (Mt 12, 32). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas neste mundo e outras no mundo que há-de vir» (625).

1032. Esta doutrina apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que já fala a Sagrada Escritura: «Por isso, [Judas Macabeu] pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres das suas faltas» (2 Macabeus 12, 46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o Sacrifício eucarístico para que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos:

«Socorramo-los e façamos comemoração deles. Se os filhos de Job foram purificados pelo sacrifício do seu pai (627) por que duvidar de que as nossas oferendas pelos defuntos lhes levam alguma consolação? [...] Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer por eles as nossas orações» (628).

O principal fundamento bíblico para os católicos se encontra no livro dos Macabeus, um livro considerado pseudo-epígrafo, escrito em grego por volta do ano 150 antes de Cristo. Não faz parte dos livros tidos como canônicos pelos judeus e por isso foram excluídos da bíblia protestante, embora todo o cristianismo durante 1.500 anos o tivesse considerado livro inspirado. Para os católicos, desde o início do cristianismo até hoje, é um livro inspirado.

Para a Igreja católica, na fundamentação de uma verdade teológica conta também a Tradição, o percurso reflexivo feito durante os dois milênios de história, principalmente a reflexão dos padres da igreja. E nesse ponto a reflexão teológica, como menciona o Catecismo, é muito densa sobre o tema do purgatório.

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