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Campanha da Fraternidade de 2015: “Fraternidade: Igreja e Sociedade” (cf. Mc 10, 45)



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  • 10/02/2015
Odalberto Domingos Casonatto

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 Campanha da Fraternidade de 2015: “Fraternidade: Igreja e Sociedade” (cf. Mc 10, 45)

Prof. Odalberto Domingos Casonatto

O tema Campanha da Fraternidade (CF) de 2015, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), terá como Tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e o lema que nos acompanhará durante este ano será “Eu vim para servir” (cf. Mc 10, 45) buscando recordar a vocação e missão de todo o cristão e das comunidades de fé, a partir do diálogo e colaboração entre Igreja e Sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, tão lembrado nas comemorações de seu cinqüentenário.

Uma retomada aos ensinamentos dos Concilio Vaticano II.

Comemorando o cinqüentenário do Concílio Vaticano II esta Campanha da Fraternidade será uma oportunidade de retomarmos os ensinamentos do Concílio Vaticano II. Sua doutrina nos leva para uma Igreja atuante, participativa, consoladora, misericordiosa, samaritana, voltada aos pequenos, preferidos de Deus. A sociedade é formada por filhos e filhas de Deus. Os cristãos trabalham para que as estruturas da sociedade, a sua organização estejam a serviço de todos. O Vaticano II e seus documentos necessitam sempre de aprofundamento.

A Bíblia e os documentos da Igreja nos levam a conversão

O povo de Deus do Antigo Testamento, após o êxodo, mantinha o princípio de lembrar cotidianamente “o Deus que os tirou do Egito”. Retomar esta memória sempre impelia o povo a uma conversão e volta para Deus.

De forma semelhante os ensinamentos conciliares, antes de serem um ponto de chegada, são um ponto de partida para os objetivos que nos propomos nesta Campanha da Fraternidade. Não podemos desprezar o sopro renovador do concílio penetrando nas profundezas de vida da Igreja.

A semente plantada pelo concilio deve frutificar e se possível até 100 por cento conforme a parábola do semeador.

O que o subsídio nos propõe.

Em quatro partes distintas é apresentado o texto base.

O Primeiro capítulo: (O ver a Realidade)

São reflexões do “Histórico das relações Igreja e Sociedade no Brasil”, “A sociedade brasileira atual e seus desafios”, “O serviço da Igreja à sociedade brasileira” e “Igreja – Sociedade: convergência e divergências”.

O Segundo capítulo: (O julgar a realidade a partir da Bíblia, do magistério e da doutrina da Igreja)

Assim se aprofundadrá a relação Igreja e Sociedade à luz da palavra de Deus, à luz do magistério da Igreja e à luz da doutrina social.

O Terceiro capítulo: (O agir da Igreja na sociedade)

Se fala no debate de uma visão social a partir do serviço, diálogo e cooperação entre Igreja e sociedade.

Se reflete a “Dignidade humana, bem comum e justiça social” e “O serviço da Igreja à sociedade”. Aparece a preocupação das lideranças da Igreja com o seu agir direcionando sugestões pastorais para a vivência da Campanha da Fraternidade nas dioceses, paróquias e comunidades.

O Quarto capítulo: (Se preocupa celebrar e louvar a Deus pelos acertos)

Se avalia as propostas da Campanha da Fraternidade de 2014 e os primeiros resultados deste ano. Aparece a prestação de contas do Fundo Nacional de Solidariedade de 2014 (FNS) e as contribuições enviadas pelas dioceses, além de histórico das últimas Campanhas e temas discutidos nos anos anteriores

O lançamento da Campanha da Fraternidade será na quarta-feira de cinzas, dia 18 de fevereiro uma data significativa. “É bom lembrar que a Campanha da Fraternidade acontece durante a quaresma, tempo litúrgico importante que apresenta-se como um itinerário de conversão aos cristãos em vista da celebração da Páscoa. Com a Campanha da Fraternidade, a Igreja quer nos indicar a conversão. Não existe conversão verdadeira de um cristão se ele está alheio aos grandes problemas que atingem a vida em sociedade, especialmente aos irmãos e irmãs mais necessitados, neste ano os que padecem com o tráfego de seres humanos.”

A Campanha da Fraternidade 2015 à luz da Biblia

A fundamentação do tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e do lema “Eu vim para servir” (cf. Mc 10, 45), perpassa todos os livros da Bíblia, mas a verdade é uma só, aquela que Jesus nos deixou que poderá transformar a sociedade: a pratica de Jesus “Eu vim para servir” (Mc 10,45).

Não queremos ser exaustivos na apresentação dos textos bíblicos para a fundamentação do que nos propomos. Indicamos alguns textos importantes. Serão suficientes para darmos inicio a caminhada da Campanha e no seguimento da pratica de Jesus o serviço.

No Antigo Testamento é moldada a idéia do serviço ao irmão

Perpassando a história do Povo de Deus ao longo do Antigo Testamento, percebesse o que Deus quer do seu povo, quais os caminhos e práticas devem ser vivenciadas.

Nas Escrituras sagradas Deus celebra a aliança com os filhos de Abraão, os libertando do Egito, formando o Povo de Deus.

A aliança celebrada era especial e comprometedora tinha implicações nas relações entre os membros que constituíam o povo de Deus.

O povo de Deus deveria ser sinal para os demais povos.

Um modo fraterno de viver junto com uma estruturação social justa deveriam ser sinal para os demais povos, pois tinham o conhecimento da Lei do Deus da vida (cf. Êx 20,1-17).

O povo de Deus, na caminhada pelo deserto, experimentou uma sociedade que atendia às necessidades básicas de todos.

O maná do deserto foi dado para suprir as necessidades, não para a acumulação (aquilo que será acumulado apodrecia de um dia para outro) (cf. Ex 16,16); a liderança de Moisés era partilhada para servir melhor ao povo (cf. Êx 18,24-27).

Contrapondo nossa sociedade e a de Jesus. A organização social de seu tempo.

No Novo Testamento, Deus leva à plenitude seu plano de salvação e libertação, propõe nova oportunidade para a humanidade. Lembramos o texto biblico. Depois de ter falado muitas vezes pelos profetas e ter feito alianças com os homens e mulheres (cf. Hb 1), agora o próprio Deus se faz ser humano em Jesus Cristo (cf. Fl 2,7). Jesus passa a ser nosso irmão maior, sua pratica deverá ser a nossa prática. Jesus na sua obra de evanelização chamaos homens e mulheres a acolherem seu Reino de amor e justiça (cf. Mc 1,15), e a estabelecerem relações permeadas pela justiça.

A sociedade de Jesus estava cheia de injustiças, mas ele cumpriu sua missão e propos um novo modo de ser e viver. Ele colocou em primeiro lugar os pobres, os pequenos, os excluídos, os doentes. Sua ação, mostrou como deveria ser a vida dos homens e das mulheres no Reino de Deus, que anunciava.

Ele demonstrou amor e cuidado aos marginalizados do seu tempo: estes formavam o grupo das mulheres e crianças (Mc 10,13-16; 14,9; Lc 8,1-3); prostitutas (Mt 21,31; Lc 7,37); doentes (cegos, mudos, surdos, gagos, aleijados, encurvados, a mulher febril, a mulher com fluxo constante, leprosos e epilépticos) e endemoninhados (cf. Mc 1,32-34). A condição de vida deles os colocaram na periferias da sociedade, sem atenção ou cuidados. Enquanto isso, autoridades religiosas, os fariseus, escribas, sacerdoters foram censuradas por Jesus (Mt 23,4; 23,13; 23,28)

Jesus teve compaixão de seu povo: “Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão e encheu-se de compaixão por eles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E começou então, a ensinar-lhes muitas coisas” (Mc 6,34).

Igreja: comunidade dos seguidores de Jesus a serviço da sociedade

Concluindo poderíamos deixar como ponto de referência os dizeres do documento do Concilio Vaticano II “Alegria e Esperança que afirma:

 “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai e receberam a mensagem da salvação para comunicá-la a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao gênero humano e à sua história” (GS, n. 1)

Imagem: Cartaz da Campanha da Fraternidade 2015

 

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