Uma janela sobre o mundo bíblico

Quando uma pessoa morre, muitos dizem que foi a vontade de Deus. Então, se é a vontade de Deus, tanto faz orar ou não, ter fé ou não; a pessoa vai morrer porque é a vontade de Deus. O que a bíblia diz sobre isso?



  • Pergunta de Lander, Muriaé MG
  • 136082
  • 30/05/2010
Luiz da Rosa

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A sua pergunta toca dois temas importantes: a vontade de Deus e a oração. Talvez você não pretendesse falar do segundo aspecto, mas ele é palese na sua pergunta.

É muito comum encontrar pessoas que enfrentam dificuldades – a morte é aquela extrema. Também é comum escutar as pessoas dizerem: “Deus te está provando; não escapar do teu caminho. Existem pessoas justas que Deus destina como vítimas para a salvação de outros”. No fundo se tenta dizer que o que está acontecendo é vontade de Deus, que devemos obedecer.

É preciso esclarecer o que significa vontade divina. A Bíblia mostra, em muitas passagens, que Deus é um pai cheio de amor, que deseja o máximo de bondade para o ser humano, tanto assim que quer que todos alcancem a vida eterna. A conclusão, portanto, é evidente: a vontade de Deus é o bem do ser humano. Contudo Deus não impõe nem a sua vontade nem a sua presença. Ele nos ama a tal ponto que nos deixa livres de escolher se viver com Ele ou per nossa conta. Ele mostra qual é a sua vontade para nos dar a possibilidade de escolher e não para nos obrigar a escolhê-la.

Se lermos os evangelhos perceberemos, por exemplo com Jesus, que a morte de Cristo não foi uma vontade de Deus, uma imposição, mas ele a escolheu livremente, por amor, como lemos em João 10,17-18: “Por isso o Pai me ama, porque dou minha vida para retomá-la. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou livremente.” De fato, Deus não deseja a morte, mas que vivamos, como lembra o profeta Ezequiel (18,23; 33,11). Portanto a morte não faz parte dos planos de Deus, que é vida. Onde há morte há ausência de Deus. Morte não é vontade de Deus. Então, por que morremos?

Paulo dá a resposta objetivamente em 1Coríntios: “Com efeito, visto que a morte veio por um homem, também por um homem vem a ressurreição dos mortos” (15,21). Isto quer dizer que a morte entrou no mundo por causa de Adão, por causa do pecado. A resposta fica mais elaborada se considerarmos a passagem dos sinóticos que diz: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo , tome a sua cruz e siga-me” (Mateus 16,24; Marcos 8,34; Lucas 9,23). Esse texto nos mostra que aquilo que Deus nos faz é uma proposta e não uma ordem. De fato não se diz “você deve”, mas “se você quiser”. É a nossa vontade, como parte da humanidade que somos, que escolhe a morte, o pecado. Deus não precisa do nosso sofrimento! Os sofrimentos presentes nas nossas vidas são consequências diretas ou indiretas do pecado, da rejeição de Deus. As ações das pessoas “poluem” a humanidade e todos respiramos este veneno, mesmo aqueles que não são diretamente responsáveis. Os nossos pecados dão prejuízos a nós mesmos, àqueles que estão próximos de nós e a toda humanidade. Sozinhos não conseguimos nos libertar das consequências do pecado, mas através de Cristo, graças à misericórdia divina, podemos superar os nossos limites e ir em direção da vida eterna, escolhendo a vontade de Deus.

Em relação à oração, ela não nos pode proporcionar uma libertação material das consequências de pecado. Não podemos ver na oração uma moeda de troca: eu me dedico à oração e Deus me paga, realizando a graça que peço. Deus não precisa de nossa oração; Ele não precisa de nada. É eterno e onipotente. Ele não precisa de nós. Escolheu livremente de nos criar e deu-nos a liberdade de escolhê-lo. Somos nós que precisamos de Deus, pois somente nEle seremos felizes. A oração serve para isso, para nos aproximar de Deus e não Deus de nós. Ele sempre nos espera de braços abertos, como mostra a parábola do Filho Pródigo.

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