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Celebrando a Ressurreição de Cristo - Páscoa



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  • 30/03/2015
Odalberto Domingos Casonatto

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 Celebrando a Ressurreição de Cristo - Páscoa

Odalberto Domingos Casonatto

A Festa da Páscoa é a maior Festa do ano litúrgico. Iniciamos a última etapa da chegada desta festa com as celebrações do tríduo Pascal nos dias que antecedem a festa da Páscoa celebrando os principais mistérios de nossa fé e o caminho da salvação. A confirmação desta realidade vem que a ressurreição de Cristo é o acontecimento de maior importância e significado na caminhada da Igreja.

No dia de Páscoa ressoa por todos os lugares da terra, desde os mais longínquos e solitários até as movimentadas cidades o anúncio Pascal que a cada ano renova-se: Aleluia! Cristo ressuscitou está vivo e verdadeiro entre nós. Ele vive para sempre, sem sombras de dúvidas. Jesus ressuscitado é Senhor de todos os vivos e também dos mortos.

Na celebração da sexta feira, em que parecia que Cristo teria morrido na cruz e que a humanidade mergulhava na escuridão e trevas tudo adquire um novo rumo e alento três dias depois. Ele ressuscita do mundo dos mortos, para nos dar a vida Dele que comunica luz para a humanidade e sentido verdadeiro para a existência. Jesus venceu a morte!

Na madrugado do domingo de Páscoa a luz da ressurreição de Cristo brilha para toda a humanidade, brilha na Igreja, nas famílias que formam a Igreja, na vida de todas as pessoas indistintamente.

Tudo tem início com a Páscoa do povo Hebreu:

O livro do êxodo, tão lembrado e lido nas celebrações do tríduo Pascal e em particular na noite de vigília pascal narra em detalhes o acontecimento da Páscoa Judaica. Nesta celebração os judeus celebram a saída da escravidão do Egito sob o jugo e trabalhos forçados no Egito. As leituras da vigília pascal lembram a passagem do mar Vermelho, as privações que o povo de Deus passou na caminhada pelo deserto e os milagres que Deus realizou durante esta travessia até a terra Prometida. Foi um tempo de espera de preparação de formação dos valores que Deus queria que seu povo vivesse.

Aparece nas narrativas à figura do personagem Moises, como o grande libertador do povo hebreu da escravidão do Egito. Moisés foi quem conduziu o povo nesta travessia, tirou o povo de Deus da escravidão do Egito levando para a terra prometida, onde segundo promessa divina uma terra exuberante a terra onde corria o leite e o mel em abundância.

Qual o significado para o povo hebreu da Páscoa?

O significa mais importante da Páscoa judaica é o caminho da liberdade. Páscoa começa a ser uma memória da passagem do estado de escravidão para a liberdade. Do cativeiro, sob o jugo da opressão egípcia a Terra Prometida. De um povo espalhado no Egito, para um povo agora unido sob o designo de Javé, Deus único e verdadeiro.

O tempo de Páscoa não era apenas uma comemoração de algo acontecido no passado, mas muito mais que isto, o Povo queria manifestar exteriormente que somente existe Terra Prometida para aqueles que conseguem passar a experiência do caminho do deserto. O povo de Deus aprendeu a duras penas que Deus somente da à liberdade para aqueles que buscam a liberdade, que querem ser libertos.

Celebrando assim o memorial da Páscoa o povo hebreu, assumiam como povo de Deus o caminho para atingir a liberdade total, que somente iria se concretizar com Cristo o filho de Deus.

Celebramos a Páscoa de Jesus a nossa Páscoa.

Jesus de origem judaica participava de todas as festas judaicas. Seguia os costumes e ritos judaicos. Certamente a cada ano ia com os discípulos para as festas de preceito celebradas em Jerusalém que a lei prescrevia. Justamente na ocasião da celebração da festa judaica da Páscoa em Jerusalém, que Jesus viveu a sua Páscoa, doou sua vida pela humanidade.

Na celebração da ceia judaica Jesus, celebrou a Páscoa Judaica que lembrava a libertação do Egito e o caminho do Êxodo para terra prometida. Na noite de quinta feira, santa como era costume de todo o povo judaico, ele com seus apóstolos comeu o Cordeiro pascal preparado segundo o ritual judaico. Este ritual que viveu com os discípulos fazia parte da celebração de sua Páscoa.

Que Páscoa celebrou Jesus com seus discípulos.

A verdadeira Páscoa vivida por Jesus foi de modo diferente da Páscoa judaica. Jesus passou da morte para a vida, das trevas para luz verdadeira, da derrota da cruz para a vitória da ressurreição. Jesus celebrando a Páscoa vence todas as barreiras da morte.

A Páscoa de Jesus traz para a humanidade a eliminação da morte e do pecado que conduz a morte. Seu sacrifício é único e tem um alcance ilimitado, para todos os povos e gentes seu sacrifício na cruz leva a vida e a ressurreição. Isto está ao alcance de todo aquele que nele crer.

As conseqüências da Páscoa dos cristão.

Celebramos a Páscoa de Jesus, celebramos a nossa Páscoa, a Páscoa do cristão. Páscoa passa ser certeza de vida plena, nova e verdadeira. Capaz de mudar cada pessoa, capaz de mudar a sociedade. Celebrar a Páscoa e ter garantia que Cristo vencendo a morte e o pecado é capaz de eliminar os nossos pecados através de seu sacrifício único e verdadeiro.

O Batismo faz a celebração da Páscoa atingir seu significado pleno.

Durante a celebração da vigília Páscoa, se vive o Batismo, como um chamado a vida de Cristo a vida nova de ressuscitados. É abençoada a água batismal, são renovados os compromissos batismais somos mergulhados nesta água que lava e transforma nossa vida. No batismo somos sepultados com Cristo, na sua morte e ressurgimos para uma vida plena e verdadeira, vida nova em Cristo Jesus ressuscitado dos mortos. Na Páscoa assumimos novamente o compromisso de vivermos esta vida nova em Cristo Jesus.

Celebrar a Páscoa e viver as verdades que a Campanha da Fraternidade nos propõe.

O tema Campanha da Fraternidade (CF) de 2015 é “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e o lema que nos acompanhará durante este ano será “Eu vim para servir” (cf. Mc 10, 45) buscando recordar a vocação e missão de todo o cristão e das comunidades de fé, a partir do diálogo e colaboração entre Igreja e Sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, tão lembrado nas comemorações de seu cinqüentenário.

Qual era a sociedade de Jesus?

No Novo Testamento, Deus leva à plenitude seu plano de salvação e libertação, propõe nova oportunidade para a humanidade. Lembramos o texto bíblico. Depois de ter falado muitas vezes pelos profetas e ter feito alianças com os homens e mulheres (cf. Hb 1), agora o próprio Deus se faz ser humano em Jesus Cristo (cf. Fl 2,7). Jesus passa a ser nosso irmão maior, sua pratica deverá ser a nossa prática. Jesus na sua obra de evangelização chama os homens e mulheres a acolherem seu Reino de amor e justiça (cf. Mc 1,15), e a estabelecerem relações permeadas pela justiça.

A vida nova de ressuscitados que Jesus nos propõe.

O que Jesus encontrou e o que Ele fez?

A sociedade de Jesus estava cheia de injustiças, mas ele cumpriu sua missão e propôs um novo modo de ser e viver. Ele colocou em primeiro lugar os pobres, os pequenos, os excluídos, os doentes. Sua ação mostrou como deveria ser a vida dos homens e das mulheres no Reino de Deus, que anunciava.

Ele demonstrou amor e cuidado aos marginalizados do seu tempo: estes formavam o grupo das mulheres e crianças (Mc 10,13-16; 14,9; Lc 8,1-3); prostitutas (Mt 21,31; Lc 7,37); doentes (cegos, mudos, surdos, gagos, aleijados, encurvados, a mulher febril, a mulher com fluxo constante, leprosos e epilépticos) e endemoninhados (cf. Mc 1,32-34). Jesus teve compaixão de seu povo: “Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão e encheu-se de compaixão por eles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E começou então, a ensinar-lhes muitas coisas” (Mc 6,34).

O que devemos fazer como ressuscitados a partir da Campanha da Fraternidade?

O grande desafio que permanece agora e este que devemos ser uma Igreja dos seguidores de Jesus a serviço da sociedade.

Poderíamos nos iluminar os dizeres do documento do Concilio Vaticano II “Alegria e Esperança que afirma:

“As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai e receberam a mensagem da salvação para comunicá-la a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao gênero humano e à sua história” (GS, n. 1)

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