Uma janela sobre o mundo bíblico

Gostaria de saber mais detalhadamente sobre as mãos pés e crânio de Jezabel?



  • Pergunta de Paulo Manacesar Silva Aguirre, São Vicente do Sul / RS!
  • 2637
  • 31/03/2015
Odalberto Domingos Casonatto

Leia mais sobre Jezabel |


Olá Paulo Manacesar Silva Aguirre, São Vicente do Sul / RS!

A pergunta desperta curiosidade, pois pergunta, pelas mão, pés e crânio de Jezabel, que for jogada dos muros da cidade para ser pisada pelos cavaleiros e dilacerada pelos cães. Assim aparece na Bíblia esta passagem em 2 Reis 9,35:

“Quando chegaram para sepultá-la só encontraram o crânio, os pés e as mãos.” (2 Reis 9,35) Bíblia de Jerusalém.

A interpretação está baseada em alguns elementos: como a presença de uma mulher estrangeira na casa real de Israel, Jezabel, tornando-se esposa de Acab. Aparece o questionamento da idolatria que Jezabel traz dos rituais pagãos que conhecia. Cultos a Baal e a deuses da fertilidade. A instalação e 450 sacerdotes de Baal em Israel. Etc.. O conflito com profeta Elias. Penso que estes dados poderão ajudar nas imagens da compreensão do versículo os cães não comeram suas mãos (nem o crânio e pés), dilacerando o restante do cadáver.

Para entender está passagem os estudioso se alinham em varias escolas de interpretação. Cito ao menos quatro escolas: A racionalista, a espirtualista, a simbólica e a feminista.

Pesquisando material explicativo sobre a passagem, considero duas as que mais nos ajudam a entender: a escola simbólica e a feminista. Vejamos o que elas dizem:

Os que utilizam os símbolos para entender a passagem bíblica.

O sentido simbólico dos pés é que eles são usados para conduzir os idólatras até os locais de seus rituais idólatras. Jezabel era uma rainha estrangeira que mantinha as suas tradições religiosas. Tinha 450 profetas a seu dispor e manteve um conflito com o profeta Elias, a este planejava a morte. No final Elias extermina os profetas de Baal.

O sentido simbólico das mãos é que elas são usadas para servir os ídolos. A Bíblia nos diz que “o sacrificado ao ídolo é a demônios que sacrificam, e não a Deus”. (1 Coríntios 10,19-20)

O sentido simbólico do crânio é que no célebro a pessoa humana articula os pensamentos e raciocínia os caminhos de sua vida. Poderá rejeitar Javé o verdadeiro Deus e seguir outros deuses conforme seus interesses.

Segundo está escola o ensinamento divino em que até os cães rejeitam, os pés, mãos e crânio de Jezabe. vO fato quer nos dizer que apesar da rainha Jezabel querer se impor a Javé, não poderá ir muito longe. Dela não sobrará nada.

A interpretação feminista do texto:

Esta passagem como envolve uma mulher, é muito estudada na perspectiva feminista. Sem querer colocá-la de lado aproveitemos aquilo que nos ajude na compreensão deste fato. A leitura feminista vai ao encontro do texto sem muitos rodeios e salienta tudo aquilo que hoje nos ouvimos com respeito à participação da mulher na sociedade. A forma sanguinária de eliminar uma rainha estrangeira com poder decisório sobre Israel para reafirmar o estilo patriarcal da família judaica é evidenciado. Da mesma forma que de uma vez por todos Elias o profeta vence a profetisa estrangeira Jezabel. O extermínio foi total, foi jogada, do alto do Palácio não com vestes reais, mas vestida e pintada como uma prostituta, representando o culto a fertilidade dedicado aos deuses estrangeiros trazidos a Israel. Foi jogada das alturas seu sangue salpicou nas paredes, e os cavalos pisotearam seu corpo. Nada mais resta somente ser alimento para cães selvagens. As imagens das sobras encontradas no momento em que Jeú decide mandar sepultar indicam que não restou nada, da mulher estrangeira, da profetiza de Baal, do culto a sexualidade. O crânio, mãos e pés, que os cães não comeram indicam que tudo esta terminado e o culto a Javé deverá continuar.

A leitura feminista do texto interpreta a morte de Jezabel, como uma ideologia de extermínio da presença da mulher estrangeira em Israel, e do extermínio dos cultos a deuses estrangeiros. A narrativa javista do texto quer justificar, na morte de Jezabel: a violência, e morte destas mulheres, utilizando seguidamente de metáforas como é o caso dos cães que não comem as mãos de Jezabel.

Fonte: Maricel Mena López, Os cães comerão a carne de Jezabel – sexo e idolatria, metáforas que legitimam a morte de estrangeiras, Revista Ribla 41, pág.63,69,

 

Imagem: Cães comeram Jezabel!


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