Uma janela sobre o mundo bíblico

Gostaria de saber se eu já nasci com meu destino traçado, de modo que por mais que eu lute pra conseguir algo, se não tiver no meu destino, eu não conseguirei. Se for assim, haja o que houver, eu já tenho a rota traçada.



  • Pergunta de Aleide, Cajazeiras
  • 30377
  • 10/06/2010
Luiz da Rosa

Leia mais sobre Destino - Predestinação |


Aleide, na visão cristã não existe predestinação. Você não nasceu predestinado a ir para o inferno ou para o céu; você não nasceu para ser fatalmente pobre ou rico. À base desta posição está a doutrina teológica do livre arbítrio. Esse dom de Deus permite que as escolhas humanas conduzam a conseqüências que determinam a nossa situação. Portanto as nossas decisões fazem com que as nossas vidas tomam esse ou aquele rumo.

É verdade que a Bíblia diz que somos povo eleito, povo predestinado. Calvino, dando peso a este pensamento bíblico, fez com que crescesse a idéia segundo a qual algumas pessoas, sem que fizessem nada, eram destinadas ao céu e outras ao inferno. Na Bíblia, invés, não encontramos fundamentos para tal afirmação. O lado oposto dessa visão de Calvino é a idéia que pensa que tudo é mérito da pessoa, sem ter em conta o fato da eleição.

Como dissemos, a Bíblia sublinha o fato que somos povo eleito. No Antigo Testamento Israel era o povo eleito. No Novo Testamento, invés, toda a Igreja se torna a raçã eleita (veja 1Pedro 2,9). Poderíamos dizer que se somos raça eleita somos, de qualquer forma, predestinados, escolhidos, especiais. Isso é confirmado pela teologia de Paulo, sobretudo em Romanos e na carta aos efésios. No primeiro capítulo de Efésios lemos: Nele nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e rrepreensíveis diante dele no amor. Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por Jesus Cristo, conforme o beneplácito da sua vontade (Efésios 1,4-5). E em Romanos 8,28-30: E nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam, daqueles que são chamados segundo o seu desígnio. Porque os que de antemão ele conheceu, esses também predestinou a serem conformes à imagem do seu Filho, a fim de ser ele o primogênito entre muitos irmãos. E os que predestinou, também os chamou; e os que chamou, também os justificou, e os que justificou, também os glorificou.

Sei que a sua pergunta é muito popular e então creio que reflexões teológicas abstratas podem ser ineficazes para a compreensão. Usemos, portanto, uma imagem para transmitir o nosso conceito teológico. Quando você pega um ônibus em Cajazeiras para João Pessoa, o seu destino é João Pessoa. Você está destinado a ir a João Pessoa. De qualquer forma, esse destino final não é irrevocável, não é fatal. De fato, durante a viagem, você pode mudar de idéia, pode receber uma notícia e decidir voltar; pode ser que aconteça um acidente, uma ponte pode ter caído e a estrada encontrar-se interrompida. São inúmeras as possibilidades que podem afastar você do seu destino. Inclusive pode ser que você adia a viagem, que não chegue no Rio hoje, mas daqui a um mês.

Com a nossa vida de cristãos acontece mais ou menos assim. Temos, é verdade, um destino (talvez seria correto dizer “destinação”), bem sintetizado por Agostinho: o nosso coração não repousa enquanto não encontrar o Senhor. Mas não é absolutamente seguro que todos chegaremos a esta meta. Tudo dependerá das escolhas que fizermos. A graça de Deus nos acompanha sempre e ilumina nossa mente para optar pela reta direção, mas nem todos seguem o Espírito.

Portanto, se você pensa que destino é qualquer situação que já está previamente estabelecida (por Deus ou pelos astros), independente da sua vontade, ele não existe. Existe, invés, o destino, entendido como meta, ao qual somos chamados, que é a vida em Cristo.

30377 visitas


A resposta dos autores do site se encontra aqui acima.
Eventuais comentérios postados abaixo, via FaceBook, não representam o nosso parecer,
mas são de exclusiva responsabilidade dos seus autores.


Comentários

Os comentários são possíveis somente através da sua conta em FaceBook