Uma janela sobre o mundo bíblico

Como analisar o contexto de Salmos 137,8-9?



  • Pergunta de Pedro Claudio, Iporá Go
  • 44788
  • 07/10/2010
Luiz da Rosa

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Assim dizem os versículos 8-9 do Salmo 137: Ó devastadora filha de Babel, feliz qme devolver a ti o mal que nos fizeste! Feliz quem agarrar e esmagar teus nenês contra a rocha.

A frase “esmagar nenês contra a rocha” impressiona, não é verdade? Com certeza foi isso que lhe fez enviar essa pergunta.

Um título que poderia ser dado a este breve salmo (são apenas 9 versículos!) poderia ser “Canto do exilado”, como sugere a Bíblia de Jerusalém. Esse título já nos ajuda muito na interpretação das palavras usadas. Basicamente, o texto lembra a tomada de Jerusalém por Nabucodonosor, em 587 antes de Cristo, e o consequente exílio do povo de Judá na Babilônia.

Conhecemos muito bem esse salmo. Basta lembrar algumas frases dele: “À beira dos canais de Babilônia nos sentamos, e choramos com saudades de Sião”; “Como poderíamos cantar um canto de Iahweh numa terra estrangeira?”; Se eu me esquecer de ti, Jerusalém, que me seque a mão direita!”. Invés, os últimos versículos não recordamos por que são quase escandalosos.

Para entender o contexto do Salmo, precisamos lembrar de Babilônia e de um dos seus reis, Nabucodonosor.

Nabucodonosor foi o rei da Babilônia de 605 a 562 antes de Cristo. Já antes de ser rei, como chefe do exército, derrotou Neco do Egito em Carchemis e em seguida assediou Jerusalém, deportando Daniel e outros juízes (Jeremias 46, Daniel 1,1-2). Quando se tornou rei, Judá, cuja capital era Jerusalém, ficou sob o seu poder por 3 anos, até que foi derrotado pelo Egito, em 601 antes de Cristo. De fato Judá tinha se aliado com o Egito, mesmo contra os pareceres de Jeremias (Jeremias 27,1-11). Todavia, Nabucodonosor não se deu por vencido e, em597, voltou, capturou o rei e o levou para a Babilônia (2Reis 24,10-16; 2Crônicas 36,6-7). Em 587 capturou novamente Jerusalém, dessa vez destruindo a cidade e levando todos os seus chefes para a Babilônia (2Reis 25,1-22; 2Crônicas 36,13-21); Jeremias 32,1-5).

Na Bíblia (veja sobretudo o Apocalipse), Babilônia é a metáfora por excelência do mal, em contraposição à Sião, à Jerusalém, que se torna celeste no Apocalipse. E este ódio é causado pelos fatos acontecidos graças ao protagonismo de Nabucodonosor.

É neste contexto que o salmista deseja, como num gesto de vingança, que as crianças desse mal, da Babilônia, sejam esmagadas.

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