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Dificuldades para a Tradução Ecumênica da Bíblia



Luiz da Rosa

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No ano passado o Conselho da Igreja Evangélica da Alemanha decidiu não colaborar com a revisão da “tradução unitária” da Bíblia junto com a Igreja Católica da Alemanha.
A Tradução Unitária existe desde 1978 e nasceu graças à iniciativa da Igreja Católica alemã de ter uma única tradução do texto sagrado para as próprias dioceses. Espertos evangélicos coloboraram nessa tradução e isso fez com que o texto fosse aceito pelas respectivas igrejas como uma tradução ecumênica. Há algum tempo foi programado a revisão do texto e na Igreja Católica essa revisão coincide com a revisão do missal alemão e do livro de cantos e orações usados na liturgia.

O problema nasceu por que em 2001 o Vaticano emanou um documento, uma instrução chamada “Liturgiam Authenticam” sobre o uso da língua vulgar nas edições dos livros da liturgia romana. Os bispos católicos alemães, então, disseram que, como a tradução revisada seria o seu texto litúrgico, a “Tradução Unitária” precisava ser aprovada pelo Vaticano. A parte evangélica, porém, diz que o documento do Vaticano prevê critérios que não podem ser aceitos por ela. Por isso o Conselho da Igreja Evangélico emanou a seguinte nota: “Dada as atuais condições, é impossível para a parte evangélica cooperar ulteriormente na revisão da Tradução Unitária do Saltério e do Novo Testamento como texto ecumênico comum.

O Cardeal Karl Lehmann, presidente da Conferência dos Bispos da Alemanna, numa carta diz ter sentido muito a decisão da Igreja Evangélica de não colaborar na revisão da tradução, considerando sobretudo o grande caminho fato, a nível ecumênico, na Alemanha. Ele recordou as palavras da Dei Verbum 22, que diz que a tradução bíblica é feita sobretudo dos textos originais e que pode ser sempre feita em colaboração com os irmãos separados. E por isso, diz o Cardeal, o texto do Vaticano sobre a liturgia não exclui o retorno aos textos originários e não obriga o uso exclusivo da Vulgata, tradução latina de Jerônimo, como, segundo ele, argumentam os evangélicos. Diz, enfim, que a falta de colaboração se deve sobretudo à falta de confiança na possibilidade de chegar a um resultado que respeite, em modo responsável o que pede a Liturgiam Authenticam. E enfim diz que para os bispos católicos o veto significa sobretuto uma pausa da parte dos evangélicos, que querem ver com clareza qual é a linha do ecumenismo católico, depois da eleição do novo papa, Bento XVI.

Os católicos continuarão a revisão da Tradução Unitária em colaboração com os outros responsáveis da sua edição, ou seja, a Conferência dos Bispos da Áustria, da Suíça, Liegi, Luxemburgo Estraburgo e Vaduz.

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