Uma janela sobre o mundo bíblico

Qual é o contexto político, econômico, social e ideológico que o povo de Israel está vivendo no relato do evangelista Lucas 20,20-26?



  • Pergunta de Claudiomar Queiroz Couto, Cariacica
  • 1531
  • 30/11/2015
Luiz da Rosa

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No texto que você sugere aparece a célebre frase "dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". É a resposta que Jesus dá a partidários dos escribas e dos chefes dos sacerdotes que procuravam uma armadilha para Jesus, perguntando se os judeus deviam ou não pagar os impostos pedidos por Roma.

Já fica claro que a Palestina naquele tempo era governada pelo Império Romano. Roma conquistava uma região e não impunha uma religião ou uma legislação completamente diferente daquela que vigia no lugar. Deixava certa liberdade aos súditos, desde que esses pagassem os impostos ao Império e que não se revoltassem. Sabemos que nem sempre foi assim. No tempo de Cristo houveram vários que se revoltaram e até mesmo entre os judeus havia a esperança de um messias que fosse um líder político que libertasse o povo da ocupação estrangeira. No tempo de Cristo, Roma conseguia dominar muito bem a situação. Na Judeia, cuja cidade principal era Jerusalém, colocou à frende Pôncio Pilatos, que tomou o lugar de Herodes Antipas, filho de Herodes o Grande. Pôncio Pilados morava em Cesaréia, mas nos momentos de festa, como a Páscoa, subia para Jerusalém.

Os judeus pagavam impostos ao imperador romano. Também deviam contribuir com o templo de Jerusalém, o centro religioso de todo o povo. Mas no templo não entrava moedas do Império. Os sacerdotes tinham suas próprias moedas. Por isso havia um grande movimento de câmbio nas proximidades do templo, coisa condenada por Cristo. Os judeus deviam trazer moedas cunhadas pelo Império e trocar por moedas cunhadas pelos sacerdotes. Só essas podiam entrar, serem oferecidas ao templo.

A resposta de Jesus aos provocadores revela não só um grau de esperteza, mas também transmete uma mensagem. Há muito respeito pela autoridade constituída, mas sublinha como ela deve ser submissa à autoridade suprema de Deus. De um lado precisa dar a César e do outro é necessário se dirigir a Deus. Toda a autoridade nasce de Deus e os reis e governadores são a Ele submissos. E são designados como instrumentos de Deus, são expressões da vontade de Deus, se cumprem seu dever.

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