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Perdeu, Tia. Entrega as chaves do Carro!



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  • 19/01/2016
Odalberto Domingos Casonatto

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 Perdeu Tia, entrega as chaves do Carro!

No último sábado, 16 de janeiro, nos deslocamos de automóvel de casa, a Rosalir Viebrantz e seu esposo Odalberto Domingos Casonatto, para participarmos de uma festa de aniversário do Gabriel, completando 3 anos de vida filho do Cleciano e Aline!

A Festa de aniversário se realizou no “Salão de Festas Lagartixa Elástica Locações” no Bairro Glória na rua Sergipe. A Festa de aniversário iniciava às 18 horas. Nesta tarde quente do verão porto alegrense, para lá nos dirigimos, contentes por participarmos algumas horas de alegria na comemoração do aniversário dos três anos de idade do Gabriel. Chegamos no local da Festa por volta das 18h30 min. A rua estava sem movimento e não havia local para estacionar em frente do salão de Festas, por isso a Rosalir estacionou o carro na rua e colocou a corrente de segurança na direção. Já tínhamos saído do carro para nos dirigirmos ao salão.

De repente, como em uma visão aparece três Jovens chegando em nossa direção. Olhando do outro lado do carro vi que um dos jovens tirou da cintura uma arma de fogo, preta, e dando um passo em direção da Rosalir, que olhava uma Mãe chegando com a criança no salão estando distraída, mas a voz de comando do jovem a acordou para a realidade do fato, o jovem quase que gritando diz, Tia perdeu entrega as chaves do carro.

A presença de espírito para a nova realidade que se formava, não alterou a calma da Rosalir.

Enquanto outro jovem veio para o meu lado exigindo dinheiro, que tive que me desfazer, um terceiro jovem pegou a chave e entrou no carro e gritou, sujou está com a tranca. Ouviu-se outra voz de comando, de uma coronhada na cabeça, mas a Rosalir logo retrucou, calma eu ensino a destravar a tranca da direção.

No outro lado se aproximava de mim o jovem que queria o dinheiro, pegou a carteira e o dinheiro que tinha. Neste meio tempo se aproxima um taxi pela rua, tentei levantar as mãos ao taxista acenando como meio de pedir socorro. Um dos jovens deu outra voz de comando, atire, atire: desmanche os miolos do velho é um assalto. O taxista passou em disparada e dobrou na primeira esquina. Neste meio tempo A Rosalir explicou como abrir a tranca da direção e o jovem tirando a tranca conseguiu ligar. Ouviu-se outra voz de comando, vamos embora. Com os pneus cantando, os jovens subiram a ladeira da rua em louca disparada, a Rosalir vendo o automóvel andando daquele jeito, velocidade que ela nunca tinha imprimido sentiu a perda do carro que tanto a serviu para ir ao trabalho, ao mercado, a feira e a Escola.

Neste momento a mulher com a criança entrou no salão anunciou, que os Tios do Cleciano estavam sendo assaltados na frente do Salão. Todos saíram do Salão, e restou apenas as considerações e comentários.

 

Entretanto algumas perguntas estão em nossa mente, e a cada passo retornam.

  • Porque fomos poupados de ter levado algum tiro a queima roupa e ter acontecido alguma morte estupida?
  • Porque aconteceu justamente naquele momento, às 18h30 min. da tarde, num bairro pacato e numa rua isolada e sem movimento?
  • Porque a Rosalir que estava pressionada com o revolver engatilhado em seu peito não levou nem um coronhaço e nem disparo?
  • Porque os miolos do Odalberto não foram para os ares, apesar da voz de comando ter sido dada “estoura os miolos do velho”?
  • Porque no aniversário de Gabriel, que lembra o anjo Gabriel fomos poupados desta tragédia?

Comentando depois com a Rosalir nos perguntamos. As contradições da vida são gritantes.

 

Os 20 anos de trabalho da Rosalir com meninos de rua em Passo Fundo

A Rosalir trabalhou por mais de 20 anos com os meninos de Rua em Passo Fundo. Com 15 anos de idade já trabalhava no Centro de juventude na Vila Bom Jesus em Passo Fundo. Cuidou destas crianças, trocou suas fraldas, deu mamadeira, atenção, contou e leu histórias para dormirem curou as dores de barriga, buscou alimentos visitou suas casas, conhecia suas mães e pais, deu uma vida inteira por acreditar que seu trabalho poderia mudar a vida destas crianças.

Neste assalto de mão armada por Jovens de não mais de 20 anos, que poderiam ser um daqueles que ela tanto cuidou no passado em Passo Fundo poderia ter perdido a vida estupidamente, agora em Porto Alegre no bairro Glória. Uma morte sem sentido, um ideal de vida terminando bruscamente sem encontrar resultado.

 

Porque este assalto a mão armada não terminou em tragédia?

Talvez a tragédia não aconteceu porque a Rosalir conhecia por dentro e por fora como estes meninos reagiam. Conhecia seu “celebro” – forma de pensar, suas “emoções” e que acredita que como seres humanos poderiam tornarem-se um pouco melhores. Penso que a Rosalir descobriu até o tom de sua voz, como deveria soar, para fazer com que os neurônios do celebro destes jovens e adolescentes tomassem outra decisão e obedecessem outros comandos.

Rosalir não se tornou rica no trabalho com os meninos de Rua de Passo Fundo, ou com as mães solteiras ou no trabalho da pastoral da criança de Porto Alegre. Mas trabalhou mesmo assim acreditando que pudesse dar melhores condições de vida para estas criaturas. Alguém deveria fazer, e ela optou por isto. Sua vida durante os melhores anos de sua juventude foi nas Casas de Crianças, Centros de Juventude, nas Escolas Profissionais, espalhadas nas vilas de Passo Fundo, ou no Lar São José da Mãe Solteira no Bairro Santana de Porto Alegre, ou na coordenação da Pastoral da criança de Porto Alegre, ou com as mães e crianças do “Campo da Tuca”, no Bairro Partenon, emPorto Alegre. Conhecia muito bem a realidade da vila Jardim, da vila Ipiranga e Xangri-lá, antiga zona do meretrício em Passo Fundo, onde as mulheres tinham filhos de vários homens que as abandonavam, da vila Victor Issler, Vila Berthier, Vila Dona Julia, Bairro Zachia, Vila Carmen, Villa Annes, Bom Retiro, Vila Jaboticabal, das vilas que surgiram ao longo da perimetral entre a Br 285 e a saída para Porto Alegre, etc...

Ela não recebeu a coronhada na cabeça deste menino infrator que tinha o revolver engatilhado em seu peito, muito provavelmente porque a sua voz soou, diferente no celebro do menino, e desprogramou de uma ação violenta para uma ausência de qualquer ação. O tom da voz, de Rosalir que estudou tanto educação tornando-se doutora, foi calma, as atitudes dos jovens infratores não a assustaram, e sempre com a disposição de ensinar falou como abrir a trava da direção do carro e sua vida foi poupada. Deus deu para Rosalir uma recompensa em vida de todo o bem que vez trabalhando com os meninos de ruas das vilas de Passo Fundo e da Praça Central de Passo Fundo a Marechal Floriano ou no “Campo da Tuca” em Porto Alegre.

Não só ela foi poupada mas também seu esposo que sendo abordado pelo segundo jovem que recebera a voz de comando para atirar nos miolos do celebro do velho, que voariam para longe, com um tiro a queima roupa.

 

Rosalir, aprendeu, cresceu e estudou trabalhando com as mães e seus filhos nas periferias.

Sabemos que o trabalho nas Vilas periféricas de Passo Fundo com os meninos de Rua, e em Porto Alegre levou Rosalir estudar Pedagogia na Universidade de Passo Fundo. Fez o trabalho final de Mestrado com o título, “Cultura e Espaço: um estudo sobre crianças e adolescentes da Praça Marechal Floriano, Passo Fundo, Rs.

Coordenou a Pastoral da Criança da Arquidiocese de Porto Alegre, trabalhou com as mães do Campo da Tuca e no lar São José da mãe solteira em Porto Alegre.

Depois trabalhou vários anos no SENAC, Rs, em Uruguaiana e Porto Alegre. Foi diretora da Faculdade Senac de Porto Alegre.

Fez o doutorado na PUC/Rs com o trabalho, “A qualidade da graduação na educação superior tecnológica no Brasil, impactos e desafios”.

Passou um ano em Austin, USA, na Universidade do Texas, para finalizar seu trabalho de doutorado. Conheceu o funcionamento, das Escolas profissionalizantes dos USA, os “Community College”, observando novos conhecimentos para dar continuidade a busca incessante e na crença que o mundo das periferias das grandes cidades com a educação de seus jovens pode ser melhor. Fez pos doutorado na PUC/Rs sobre indicadores de qualidade no ensino e na aprendizagem. Atualmente cursa o V semestre de Psicologia na PUC/RS.

 

Um ideal de vida que não terminou em tragédia.

Olhando todo este trabalho feito com os meninos de Rua, a compreensão da busca de métodos para o ensino de uma educação profissionalizante, seria tremendamente frustrante, se a vida de Rosalir fosse terminar em uma tragédia comandada por um menino de rua, buscando um carro através de um assalto a mão armada. Ela valia muito mais do que um automóvel, usurpado pela força de um comando de quem tem uma arma de fogo engatilhada e supõe ser poderoso.

Seu estudo, seu trabalho, as longas conversas com estes adolescentes, ajudaram entrar nos meandros de seus celebros e sua calma, entonação de voz e coragem juntos aos três jovens fizeram que a sua vida fosse poupada e de seu esposo. Os jovens, não a assustaram ela sabia como reagir, falar e entende-los. Era o momento de perda para num outro momento ganhar a vida deles.

Para ela fica uma recompensa que nenhum dinheiro poderá pagar. O automóvel independentemente de onde irá terminar, cederá lugar a outro, mas a sua vida se tivesse sido tirada jamais alguém substituiria.

A festa era para Gabriel, de três anos de idade, lembrando o anjo Gabriel que anunciou a Maria a Mãe de Jesus. O pequeno aniversariante Gabriel teve o privilégio de já tão cedo ter sido poupado de conviver com uma tragédia no dia de seu aniversário. Acreditamos que não só o anjo Gabriel andava ali mas os outros anjos muito atentos guardaram aquele ambiente festivo.

 

Depois do episódio a Festa continuou...

Depois do incidente acontecido, a festa dos três anos do Gabriel continuou, com seus amiguinhos e parentes. Sua alegria não foi tirada. Tivemos que ir à delegacia, para ocorrência de praxe. Agradecemos ao Raul, primo da mãe do Gabriel, que imediatamente comunicou a Polícia e nos levou até a 2ᵃ DP/DPRPA/DPM. Depois disto retornamos para a casa a pé, recordando a cada passo o fato acontecido. Agradecendo a Deus pela vida que continua. Não tínhamos resposta ainda do porque fomos poupados.

Para a Rosalir e para todos nós resta uma certeza que a vida segue seu caminho imponderável e Deus terá ainda algo escondido para que a Rosalir complete seu trabalho.

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