Uma janela sobre o mundo bíblico

Carne de porco e o valor do Antigo Testamento



  • Pergunta de Hamilton Elias, Luanda - Angola
  • 1780
  • 24/01/2016
Luiz da Rosa

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A pergunta literal do nosso leitor da Angola:

Uma das minhas colegas de serviço disse-me que poderíamos comer porco sim, porque Deus proibiu no antigo testamento, após a vinda de Jesus tudo mudou. gostaria de saber se está certo ou não.
Outra questão: Qaul testamento devemos seguir, o Antigo ou o Novo?

Repetimos já aqui no site que o Antigo Testamento é tão importante quanto o Novo. No Novo Testamento temos a revelação plena, a realização do plano salvífico de Cristo, mas isso só é possível ser entendido dentro da caminhada do povo de Israel. Por isso, o Antigo Testamento serve ainda hoje para nós, para nos revelar o valor de Cristo.

Talvez o modo correto seria dizer Primeiro e Segundo Testamento, invés de "Antigo" e "Novo". De fato, normalmente pensamos que o novo supera o antigo. Invés, se tivêssemos na nossa cabeça a menstalidade de "Primeiro" e "Segundo", esse preconceito não existiria.

Faço um exemplo didático para tentar resumir o valor que tem o Antigo Testamento. Se alguém lhe pergunta como é a terra, você, com certeza, vai responder: "é redonda". Resposta certa e coerente com a visão científica de hoje. Você acha que a mesma resposta podia ser dada há 5 séculos atrás sem ser acusado de bruxaria? Claro que não. Veja, por exemplo a história de Galileu Galilei, que sofreu muito por defenter tal convicção. Hoje nós podemos ter certeza de que ninguém nos acusará de infâmia se dissermos que a terra é redonda. Mas esse privilégio nosso é devido ao sofrimento de pessoas pioneiras no passado, coisa que não poderíamos ignorar. Da mesma maneira, a revelação de Cristo não pode ser entendida sem a presença do Antigo Testamento. Ignorá-lo ou relativisar a sua importância é não dar o devido mérito à história da Salvação.

 

A carne de porco

Há vários preceitos do Primeiro Testamento que, aos nossos olhos, soam absurdos: a lei do talião, não comer carne de animais impuros (entre eles o porco), observar o sábado, pagar o dízimo de tudo o que ganhamos, etc. Há um certo movimento que procura ressuscitá-los, pensando que a sua observância é condição para ganhar o Reino dos Céus. Obviamente nós não pensamos assim.

Se um tempo a ideia da terra redonda não existia, não significa que hoje devo deixar de acreditar que a terra era redonda. Isto é, não tenho que retroceder àquele tempo histórico para ser coerente. Posso muito bem "aproveitar" do desenvolvimento científico e aceitar as conclusões dos pesquisadores. Posso usufruir dessa situação sem esquecer o processo que a proporcionou.

Não precisamos mais seguir as leis do Antigo Testamento, pois o que elas significavam hoje está incluído em outros ensinamentos, principalmente naqueles transmitidos por Jesus e seus discípulos. Jesus mesmo nos ensinou que algumas leis precisam ser redimensionadas e que foram dadas para "educar" o fiel no caminho de Deus. Foram necessárias durante um período, mas depois se tornaram obsoletas.

Com essas ideias não estamos relativisando, repito, a importância de certas regras de comportamento do Antigo Testamento para aquele momento histórico. Precisamos entender que a revelação é um processo histórico. Deus não desce do céu e nos entrega um livro onde está tudo escrito, da noite para o dia. Ele se revela aos poucos; tem paciência para que o seu povo eleito aprenda a sua mensagem. Pega pela mão os hebreus e os conduz à revelação plena em Cristo.

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