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Descobertas arqueológicas em nome de João Batista na cidade de Samaria



Luiz da Rosa

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Há váras evidências históricas que falam da veneração e da presença das relíqueas de João Batista em Sebaste, atual Sebastiya, que na época dos reis e do duplo império em Israel se chamava Samaria, capital do reino de Israel, reino do norte. Não é claro, nessas testemunhanças, como as relíqueas do Batista, que foi, segundo Josefo Flávio, assassinado na fortaleza de Macheronte, na Transjordânia, chegaram até a Samaria.
Além do aceno importante em Nurchardo, segundo o qual a igreja onde se veneravam as relíqueas era a igreja catedral, nada se diz, nas narrações dos peregrinos, da torre que provavelmente caraterizada o local e nem da sua exata localização. Os habitantes da cidadezinha continuaram a indicar o jarasiyah, a torre, em uma costrução quadrangular bem construída com blocos quadrados, a 10 metros da parede meridional da igreja, no outro lado de uma porta, que estava bloqueada até agora, que outrora permetia entrar no santuário pelo sul. Com o tempo, na zona foram construídas moradias. Há vários anos as casas abandonadas começaram a cair em ruínas e o local se tornou de difícil acesso. Inclusive entre os habitantes se comentava sobre a existência de um jinn (fantasma) que afastava até mesmo as crianças de eventuais aventuras.
Ultimamente, depois de seis meses de trabalhos de restauradores italianos e dos habitantes do local, há tempo isolados e sem trabalho, foi possível inaugurar o novo centro cultural de Sebastiya, que permitiu trazer à luz evidências da Igreja onde era venerado o Batista.
O centro tem como objetivo ser o lugar de encontro dos habitantes locais, mas contém também um pequeno museu criado pelo arquiteto Osama Hamdan, onde são expostos restos arqueológicos encontrados durante o trabalho, que provavelmente pertenciam à Basílica Bizantina. Uma particularità dos capitéis encontrados é a presença de cruzes com as letras apocalípticas A e W, uma raridade para as igrejas da Palestina.
Há restos de uma construção que deixa dúvidas, mas provavelmente pode ser vestígios da casa do bispo, que sabemos tinha como sede exatamente esta igreja. Os trabalhos futuros darão ulteriores certezas.
Damos, em seguida, algumas testemunhas históricas da veneração de João Batista em Sebaste, conforme um texto de autoria do arqueólogo cristão Michelle Picirillo que apareceu no site www.terrasanta.net.

“A quatro léguas de Jenin, na direção do sul, se encontra a cidade de Sebaste, que anticamente se chamava Samaria, quando era a capital das 10 tribos, chamadas Israel; hoje em dia, por causa dos pecados cometidos, não tem mais nenhuma casa, exceto duas igrejas dedicadas a João Batista. Uma, que era a principal e a catedral, os sarracenos transformaram em mesquita. Nela se encontrava o sepulcro de João Batista, que era feito de mármore, símile àquele do Senhor. Os sarracenos veneram muito João Batista, depois de Cristo e da Virgem Maria, tendo uma grande estima por ele... Dizem que foi um grande e santíssimo profeta.”
Esse texto foi escrito em 1283, pelo frei domenicano Bucardo del Monte Sion, depois de ter visitado a cidade semi-deserta, com a igreja de São João já transformada em mesquita depois da derrota do exército cruzado, por mãos de Saladim, em 1187. A visita e a veneração pelo túmulo do Batista dão ao religioso o empurrão para relembrar aos cristãos da Europa a consideração que tinha o precursor, como profeta, entre a gente muçulmana, em base às tradições antigas.
Já em 390, em Belém, traduzindo em latim o ‘Onomasticon’ dos lugares santos escritos em greco por Eusébio, bispo de Cesaréia, no final do siculo III, são Gerônimo acrescentava à voz ‘Samaria/Sebastiya: “onde são conservados os restos de São João Batista”. O mesmo autor situa o túmulo de São João Batista em Sebastia, quando conta a pelegrinação aos lugares santos realizados por Pauloa Romana.
O seu contemporâneo, Rufino di Aquileia, na História Eclesiástica dedica uma página inteira ao que aconteceu em Sebastia em 361-362 no tempo de Juliano o Apóstata: os pagãos de Sebastia distruíram o venerado túmulo do Precursor e espalharam as cinzas. Mas parte das relíquias do Batista foram salvas por alguns monges que passavam por ali: “No tempo do imperador Juliano... em Sebaste, cidade da Palestina, aconteceu que os pagãos invadiram o túmulo de João Batista: primeiro espalharam os ossos, mas depois os reuniram para queimá-los; Espalharam as cinzas pelas vilas próximas. Mas por disposição divina aconteceu que de Jerusalém passavam por ali alguns vindos do Mosteiro de Filipe... Tendo-se misturados com aqueles que recolhiam os ossos para queimar, pegaram alguns ossos e, escondidos, os levaram ao mosteiro”.
João Rufo, discípulo e biógrafo de Pedro o Ibérico, bisto de Maiuma de Gaza, è o primeiro a citar, em 515, que uma igreja foi construída em honra a João Batista em Sebaste: “Esse lugar, de fato, era uma capela particular da Igreja, pois existem duas urnas cobertas de ouro e prata, diante das quais estão acesas velas todo o tempo: uma urna é aquela de João Batista e a outra aquela do profeta Eliseu”. As relíqueas foram em seguida colocadas na igreja superior, conforme testemunham os peregrinos de época cruzada.

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