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Descobertas arqueológicas na área do templo



Luiz da Rosa

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O “monte do templo”, como o denominam os judeus, ou o “recindo nobre”, como è chamado pelos muçulmanos, é um dos lugares mais interessante da cidade de Jerusalém. Nós normalmente conhecemos como “a esplanada do templo”. Trata-se de uma área de 480 metros por 300, que hoje engloba as mesquidas de al-Aqsa e Qubbat es-Sakhra. Era onde até o ano 70 depois de Cristo existia o templo. A situação atual de Israel tem como conseqüência que qualquer questão que se refere a este espaço termina em polêmica. Com a arqueologia não podia ser diferente.


Seria interessante poder descobrir o que ainda existe do famoso templo de Jerusalém. Mas existe uma mentalidade religiosa que considera tal exploração como uma profanação do lugar santo. E além disso há a preocupação que descobertas arqueológicas podem ser usadas das duas partes interessadas, muçulmanos e judeus, como uma arma política para tirar a propriedade ou o uso do local ao outro. A arqueologia como arma política!


Assim nasce as acusações feitas contra os judeus por escavar túneis que entram no subterrâneo das mesquitas. A última vez essa acusa foi feita, acompanhada por fotos feitas secretamente, durante uma conferência à imprensa feita em janeiro. Nasceu assim a acusação contrária, feita aos muçulmanos, de destruir ou esconder os restos antigos, por exemplo, por ocasião da restruturação da mesquita Marwani, conhecida como “estábulos de Salomão”, e a abertura de novas portas para a entrada nesse local.

O arqueólogo de Israel Gabi Barkai, analisando com cuidado a terra desses trabalhos, demonstrou a quantidade de coisas antigas que teria sido possível e necessário recuperar. Inclusive falsas descobertas foram anunciadas; depois foram desmascaradas. Tibor Grull anunciou que foi encontrada uma inscrição latina que provém dessas escavações. Até apareceu uma fotografia no jornal israeliano Haaretz. Deve aparecer em breve uma publicação científica. A inscrição fala do general romano Flavio Silva, que conquistou Masada em 73 depois de Cristo, que foi governador da Judéia até o ano 80 depois de Cristo.

Atualmente estão sendo realizadas trabalhos no Muro das Lamentações (Muro Ocidental). Visam sobretudo arrumar o local e há pouco de pesquisa arqueológica, que é feita pelo Departamento de Antiguidades de Israel. Foram encontrados restos de uma estrada calçada, a segunda mais importante da cidade em época romana e bizantina. Da época de Herodes foi encontrado um lugar para as purificações rituais (miqveh), partes de casas privadas e um pedaço de um aqueduto que trazia água das proximidades de Belém. Provavelmente outras descobertas serão feitas durante a construção da ponte que vai atravessar a praça.

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