Uma janela sobre o mundo bíblico

Arqueologia e geografia sobre o carvalho de Moré.



  • Pergunta de Arnaldo Cesar Oliveira da Wilva, São Gonçalo
  • 4592
  • 30/08/2016
Luiz da Rosa

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Mamre, como é melhor chamar, conforme o original hebraico ( mæmr/ מַמְרֵא), aparece em Gênesis, quando se conta a história de Abraão. Gênesis 13,18 diz que o Patriarca, depois da separação de Ló, "se estabeleceu no Carvalho de Mamre, que está em Hebron, e lá construiu um altar para Iahweh." Mais tarde, em Gênesis 18, encontramos a história que fez com que esse local se tornasse famoso, pois ali o Senhor apareceu a Abraão.

Temos outros detalhes em Gênesis 14,13:

Abrão, o hebreu, que habitava no Carvalho do amorreu Mambré, irmão de Esoclo e de Aner; eles eram os aliaos de Abrão.


Geografia

O lugar exato desse "Carvalho de Mamre", que é mencionado somente em Gênesis não é muito claro. Parece que Mamre foi um amorreu, um chefe de uma tribo a quem teria sido dedicado um conjunto de árvores. As fontes rabínicas dizem que o local é o mesmo que Beth Ilanim ou Botnah, um dos locais de comércio mais importantes da Judeia, onde durante muito tempo se realizavam grandes feiras de comércio. Ficaria a cerca de 4 quilômetros de Hebron, não muito longe de Jerusalém.

Às vezes a Bíblia identifica o local com a cidade de Hebron, como em Gênesis 23,19:

Abraão enterrou Sara, sua mulher, na grut do campo de Macpela, defrontre de Mambré, que é Hebron, na terra de Canaã.

Existe outra tradição, do primeiro cristianismo, que identifca Ramet el-Halil com o local mencionado no Antigo Testamento.

 

Arqueologia

Josephus diz que existia um carvalho em Mamre que é tão antigo quanto o próprio universo. Judeus, cristãos e também pagãos ofereciam sacrifícios no local.

Segundo a tradição, no local foi construída uma basílica por Constantino, que inclusive aparece no Mapa de Madaba. Arqueólogos alemães cavaram o local entre os anos 1926 e 1928. A Basílica construída por Constantino preservou a árvore e foi dedicada a São Jorge.

A Árvore parece ter sido destruída pelos próprios pelegrinos, que tiravam pedaços delas como lembrança. Foi deixado somente um toco, que teria sobrevivido ate´o século VII.

Existe um testemunho muito importante, do Século V, que conta como era o lugar. Esse testemunho foi recolhido no Historia Ecclesiastica, Livro II, 4-11:

O lugar hoje é chamado Terebinto, e está situado a uma distância de quinze estádios de Hebron. Cada ano, um festival muito famoso é realizada no verão, por pessoas da área mas também por gente de outras lugares da Palestina e por fenícios e árabes. Muito muitos vão lá por causa de negócios, alguns para vender e alguns para comprar. A festa é celebrada por um grupo grande de judeus, uma vez que eles consideram Abraão como seu antepassado, por pagãos, pois anjos apareceram no lugar, por cristãos, que acreditam que Jesus apareceu ali. Cada um venera esse local segundo sua própria religião.

O local, no século XIX, foi comprado pelos ortodoxos russos, que construiram um mosteiro próximo.  A foto ao lado é da árvore como se via em 1912. O tronco teria morrido em 1996, mas se diz que em 1998 apareceu um broto. Mas é provável que nada mais reste da árvore sob a qual os anjos (ou o próprio Senhor) encontraram o Patriarca Abraão.

 

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