Uma janela sobre o mundo bíblico

Por que o Salmo 23 (Deus-Pastor), na Bíblia traduzida, não corresponde ao entendimento Judaico? Não são eles os autores primitivos da obra?



  • Pergunta de Amarildo, SBC
  • 1271
  • 03/12/2016
Luiz da Rosa

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Obviamente os salmos foram escritos em hebraico e nada ajuda a entender de maneira mais objetiva um escrito do que ler na própria língua. Todavia, as traduções de obras literárias famosas, como o é também a Bíblia, são muito fieis ao original e quem se propõe a tal empresa persegue o objetivo de transmitir na sua língua aquilo que foi dito pelo autor original.

Em relação a este Salmo, dito "Salmo do Bom Pastor", não sei exatamente qual é a sua questão. Pode ser que exista alguma frase particular que você tenha em mente, mas não consigo identificá-la. Ou talvez a sua questão seja inerente ao uso do nome de Deus nesse Salmo, isto é, a Iahweh: "Iahweh é o meu pastor..." Se esse for o caso, precisaríamos retomar o tema do nome de Deus, ou seja: é melhor dizer "Iahweh" ou "Senhor"? Quem sabe, respeitando a perspectiva judaica, que não nunca ousa pronunciar o nome divino, seria melhor dizer "O Senhor é o meu pastor". De fato, diante do Tetragrama (YHWH), os judeus não dizem "javé" (ou Jeová), mas simplesmente "Senhor" (Adonai).

Eu mesmo costumo escrever "Yahweh", mas reconheço que deveria escrever YHWH. Uma coisa é a escritura e outra é a leitura. De fato, também na bíblia hebraica está escrito YHWH. O problema não se põe em nível de escritura, mas de leitura.

Todavia, é necessário prestar muita atenção sobre essa questão. Não façamos dela uma questão farisaica: o que importante é o que está por trás do espírito judaico de não pronunciar o nome de Deus, isto é, o reconhecimento da grandeza e da sacralidade desse nome.

Uma atitude presente em algumas pessoas, como eu, que já temos alguns anos de vida pode ajudar a entender esse tema. É claro que o exemplo não traduz toda a importância que tem essa questão, mas pode nos dar uma indicação de como entendê-lo. Quando falavo com meu pai ou falo, ainda hoje, diretamente com minha mãe, não digo nunca seus nomes, mas "o senhor" ou "a senhora". Esse modo de fazer indica um respeito, uma reverência, que, em relação a Deus, ganha valor exponencial.

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