Uma janela sobre o mundo bíblico

Qual é o nome do demônio que nos faz comer carne sacrificada aos ídolos?



  • Pergunta de Alan Robert Guiraldino, Matão-SP
  • 2451
  • 01/01/2017
Luiz da Rosa

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A idolatria, o culto aos deuses estrangeiros, aos ídolos, é uma crítica constante dos profetas em relação ao comportamento do povo eleito, durante a narração da história do povo de Israel. O caso mais emblemático é a própria vida do Rei Salomão, que, embora Deus lhe tivesse dado tanta sabedoria, deixou com que seu coração se convertesse aos deuses de suas inúmeras esposas estrangeiras (1Reis 11,1-8).

E a admoestação a lutar contra ela está também no novo testamento. Basta citar 1João 5,21: "Filhinhos, guarda-vos dos ídolos". E também Paulo, em 1Coríntios 10,14: "deveis fugir da idolatria". O que está por trás da idolatria é o abandono da estrada de Deus, do seguimento do seus ensinamentos, o afastamento dEle.

 

Carne sacrificada aos ídolos

Uma das conclusões do Primeiro Concílio da Igreja, Concílio de Jerusalém, narrado em Atos 15, é que os não judeus que se convertiam ao cristianismo deviam se abster "das carnes imoladas aos ídolos" (Atos 15,29).

Além desse texto de Lucas, outro muito importante se encontra em 1Corítions 10,14-33. Nesse capítulo, Paulo admoesta aos cristãos de Corinto a não pactuar com a idolatria. É uma mensagem muito clara, em consonância com toda a tradição profética e do Antigo Testamento: "não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios".

Todavia, a mensagem de Paulo é muito profunda e entra na vida concreta. A partir do versículo 23 elucida com clareza que coisa é demoníaca: o desrepeito e ignorância em relação ao próximo: "ninguém procure satisfazer aos próprios interesses, mas aos do próximo".

Para enfatizar esse ensinamento, Paulo parte de uma questão da vida quotidiana. Vivendo em ambiente onde o cristianimsmo não era a religião predominante, era normal que no mercado público se vendessem carnes que haviam sido imoladas aos ídolos gregos ou até mesmo, em caso de almoço em casa de amigos, podiam ser servidas carnes originalmente imoladas a ídolos. A esses casos práticos Paulo afirma: "comei sem levantar dúvidas por motivo de consciência". Todavía - e aqui está o cerne do ensimamento paulino - se alguém que está com você lhe faz notar que aquela carne é impura, sacrificada a ídolos, "não comais, em atenção a quem vos chamou a atenção e por respeito à consciência". E conclue dizendo: "quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus".

 

Qual é o demônio que nos faz comer a carne sacrificada aos ídolos?

Muitas vezes, em algumas correntes religiosoas de hoje, o assíduo combate à idolatria revela uma falta de fé. A Bíblia ensina a existência de um único Deus, sublinhanda pela passagem da carta aos Coríntios. Se creio firmemente na existência de um único Deus, os "ídolos" não são importantes, são "nada". Muitos ídolos são criados por nós mesmos. O problema é que nem todo mundo tem consciência dessa verdade. Por isso, cristãos maduros precisam acompanhar com sábia pedagogia quem ainda precisa crescer na fé e, às vezes, em nome da caridade, renunciar a dar passos grandes.

O demônio que nos afasta de Deus é, muitas vezes, aquele com o qual pactuamos, ao qual damos crédito, ao qual adoramos. Não é um "deus existente", pois só o Senhor existe como Deus verdadeiro, mas um "deus falso", seguido muitas vezes por nós mesmos.

Sei que não é uma reflexão fácil, mas abra seu coração e medite bem as palavras que Paulo escreveu há 2 mil anos aos cristãos de Corinto, que servem de maneira impressionante para a nossa realidade de hoje.

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