Uma janela sobre o mundo bíblico

Qual era a situação na época de Isaías 49: quem governava, como eram as relações de poder, e qual autoridade religiosa existia?



  • Pergunta de Neidivania, Tomar do Geru
  • 2108
  • 08/02/2017
Luiz da Rosa

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O Livro de Isaías, em relação ao período de abrangência, é muito complexo.

O profeta nasceu por volta do ano 765 a.C. Cerca de 25 anos mais tarde, ano em que morreu o rei Ozias, ele recebeu sua missão profética, que consistia em anunciar a ruína de Israel e de Judá como castigo das infidelidades do povo. Exerceu seu ministério durante quarenta anos, no período em que tanto o Reino do Norte (Israel), com a capital Samaria, quanto o Reino do Sul (Judá), com sede em Jerusalém, sofriam a pressão dos assírios.

Os exegetas colocam sua atividade profética durante 4 período e, em cada um deles, certos textos foram escritos. Há textos do seu livro que com certeza não foram escritos por ele, mas por discípulos. É difícil definir exatamente o que veio da mão do profeta e o que é glossas dos seus discípulos. Por exemplo, o assim dito Apocalipse de Isaías (Isaías 24-27) é provavelmente escrito ao menos 200 anos depois da morte do profeta.

Sabemos também que Isaías 40-55 não pode ser obra de Isaías. O contexto histórico desses textos é posterior de ao menos dois séculos: Jerusalém foi tomada, o povo se acha prisioneiro na Babilônia e Ciro (590 - 529 a.C) aparece como instrumento de libertação.

Não sabemos quem foi o autor desses capítulos, que chamamos de Deutero-Isaías. Sabemos só que ele pregou na Babilônia, começando com as primeiras vitórias de Ciro, em 550 a.C., que anunciava a derrota do império babilônico, e o edito que libertou o povo do cativeiro, em 538, permitindo os primeiros retornos a Jerusalém do povo exilado.

 

Isaías 49

Portanto o texto objeto da sua pergunta está inserido nesse “Deutero-Isaías”, chamado também de “segundo Isaías”.

Esse capítulo é muito famoso, pois representa um dos 4 “cantos do Servo” (42,1-9; 49,1-6; 50,4-11 e 52,13 ; 53,12). Esse “Servo” representa um perfeito servidor de Deus, que reúne o seu povo e é a luz das nações, que prega a verdadeira fé, expia por sua morte os pecados do povo e é florificado por Deus.

A identificação do Servo é muito discutida. De fato, esses 4 cânticos representam os textos mais estudados de toda a Bíblia. Alguns veem nele a figura da comunidade de Israel, mas é preciso sublinhar a presença dos traços individuais e, por isso, muitos tendem a ver uma figura histórica. Pode ser o próprio autor ou também uma figura que se inspira no próprio Ciro.

De qualquer forma, uma interpretação limitada ao passado ou ao presente do autor não explica d emodo suficiente os textos. O Servo é o mediador da salvação. E nesse sentido poderíamos sublinhar a interpretação messiânica. É o próprio Jesus a utilizá-los e aplicá-los a si próprio e à sua missão (Marcos 10,45; Lucas 22,19;20.37).

Para responder à sua pergunta, o contexto é aquele do Exílio na Babilônia. Temos poucas informações sobre a vida do povo hebreu como exilados. É provável que pudessem conservar a própria religião, às vezes de maneira heroica. As instituições religiosas não eram muito delimitadas. Com o advento do imperador Ciro, é provável que eles tenham ganhado autonomia e finalmente conseguiram voltar para Casa, onde foram restabelecidos tanto o culto no Templo quanto começaram a nascer as instituições religiosoas que marcam a vida do povo judeu até hoje.

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