Uma janela sobre o mundo bíblico

Ouvi falar que o profeta Samuel foi desobediente ao Ungir Saul como rei, pois era para ungi-lo como capitão...



  • Pergunta de Rogerio Lopes de Miranda, Ribeirão das neves MG
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  • 04/03/2017
Luiz da Rosa

Leia mais sobre Saul | Historiografía deuteronomista |


A instituição da realeza em Israel é contada a partir de 1Samuel 8. O autor da história dos três primeiros reis de Israel (Saul, Davi e Salomão) é bastante tendencioso, como é toda a literatura bíblica. De fato, a Bíblia parte de elementos históricos, mas não tem a preocupação de fazer uma crono-história, um mero jornalismo. Trata-se de literatura religiosa, leitura da história a partir do ponto de vista da fé do povo em Deus que liberta e lidera seu povo.

Tudo o que é dito em relação à história da monarquia unida dos hebreus é muito centrado na figura de Davi, o rei por excelência, do qual descenderá o Messias. Saul fica na sombra, nessa história. Ele é rejeitado por Deus principalmente por não ter obedecido ao preceito de destruir tudo o que se conquista na guerra, como conta 1Samuel 15. Mas já antes disso a narração é bastante negativa em relação a ele, começando pela sua eleição. De fato, não foi Deus que o quis, mas trata-se de um pedido do povo, que queria um rei como as outras nações. O povo não soube reconhecer que o seu rei era Deus, que era um povo especial, guiado por Iahweh. Os hebreus quiseram ser como os outros. E isso mesmo contra as admoestações do profeta Samuel, que era o último dos juízes, poderíamos dizer.

A história dos reis de Israel, dita HIstória Deuteronomística, tem uma índole muito profética. Existe uma luta ideológica bastante evidente entre quem é o representante de Deus, o rei ou o profeta. Toda essa história, obviamente, não foi escrita no tempo do rei Saul e nem do rei Davi, mas ao menos 5 séculos mais tarde. Trata-se de uma interpretação dos fatos. É provável que houve um processo natural que levou Israel à monarquia, mas a leitura que se faz desse processo é inspirada por Deus e revela a sua vontade em relação ao destino da humanidade. O poder deve estar submetido aos preceitos divinos. Mais do que poder é um serviço, que deve ouvir continuamente a voz do profeta, que recorda a estrada que precisa ser seguida.

Com essa hermeneutica dinate de nós, não tem fundamento pensar que Saul devia ser eleito um capitão. São categorias que nem existiam naquele tempo. Existiam os responsáveis pelos soldados, mas a Bíblia nunca fala de unção dessas pessoas; os reis eram os ungidos.

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