Uma janela sobre o mundo bíblico

Qual é a diferença entre o texto recebido e o texto crítico?



  • Pergunta de Isaac Oeiras Pires, Belém
  • 1816
  • 16/03/2017
Luiz da Rosa

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A sua pergunta nos leva ao contexto da Crítica Textual da Bíblia, matéria que tem como objetivo chegar ao texto mais original possível da Bíblia. De fato, como sabemos, não temos os textos que saíram da "caneta" dos autores sagrados, mas apenas cópias desses textos, que chegaram até nós, normalmente, em pedaços de papiros ou pergaminhos. Em alguns casos eles não concordam entre si e apresentam pequenas variações.

O Texto Recebido (textus receptus, no ambiente acadêmico) é uma versão do Novo Testamento estabelecida por Erasmo de Rotterdam, a partir do qual, entre 1514 e 1870 se imprimiram cerca de 750 edições do texto grego do Novo Testamento, entre as quais a Bíblia de Lutero, Tyndale, King James.

Erasmo publicou o seu primeiro texto em Basileia, em 1516, baseando-se em manuscritos do Século XII. Tinha como objetivo preparar uma nova tradução latina do NT, que chamou de "Novum Instrumentum" e que, conforme o seu parecer, seria uma melhoria do latim do texto usado.

Depois da primeira edição, ele fez outras edições; a última foi em 1535.

 

Texto crítico

Os manuscritos bíblicos continuaram a ser descobertos, mesmo depois de 1500. Pensamos, por exemplo, em relação ao Antigo Testamento, na descoberta dos textos nas grutas do Mar Morto, na década de 50 do século passado... Como para o AT, também no Novo Testamento há variantes do texto bíblico que não eram conhecidas no período em que foi estabelecido o Textus Receptus. O texto crítico recolhe também essas variantes, desconhecidas por Erasmo de Rotterdam e edições posteriores. E não só isso, pois cita também aqueles textos que foram descartados por ele. De fato, diante de dois textos que dizem coisas diferentes, ele fez uma escolha e não explicou o por que dela. Invés, nas edições críticas, onde também se faz uma escolha, todas as variantes são indicadas nas notas de roda-pé. Dessa maneira, quem quer e tem capacidade para fazer um julgamento das variantes, pode escolher usar um manuscrito ao invés de outro.

Os tradutores das bíblias, invés de visitarem museus e bibliotecas atrás de manuscritos, usam essas edições a partir das quais realizam suas traduções.

 

Edições críticas dos manuscritos – Stuttgartensia e Nestle-Aland

Existem duas clássicas, uma para o Antigo e outra para o Novo Testamento. A Bíblia Hebraica Stuttgartensia é a obra de referência para as variantes do Antigo Testamento. Invés, para o Novo Testamento, é o assim chamado Nestle-Aland Novum Testamentum Graece.

As duas edições reúnem todas as variantes de textos existentes. O editor escolheu um texto base (Codex Lenigradensis (L) para a Biblia Hebraica), mas na nota de rodapé e nas margens coloca todas as outras opções que existem, usando os códigos típicos dos manuscritos. A imagem abaixo lhe apresenta um caso concreto de crítica textual em Mateus 17

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