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Vida depois da morte numa descoberta na Turquia



Luiz da Rosa

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Foi encontrada, no sul da Turquia, uma pedra (stele) do período dos reis de israel (cerca de 800 anos antes de Cristo), que mostra o primeiro sinal de escritura na região e que revela que os habitantes do lugar acreditavam que a alma era separada do corpo. A descoberta, embora realizada há alguns meses, foi comunicada dia 22 de novembro pelos estudiosos da Universidade de Chicago.

Ela foi encontrada na antiga cidade de Sam’al. Pesa 362 quilos e tem 91 centímetros de altura e 61 de largura.

Na pedra aparece a figura esculpida da pessoa, que encomendou a escultura. Ele foi cremado. Esta prática não era admitida entre os judeus e também entre outros povos, pois acreditavam na unidade entre corpo e alma. Segundo a inscrição, a alma do defunto teria continuado a exister na pedra.

A stele foi encontrada num local que servia como relicário, criado pelo funcionário real Kuttamuwa, que uma inscrição descreve como “servo” do rei Panamuwa, do oitavo século antes de Cristo. O local estava na parte externa da cidade, numa área destinada a casas para os servidores, provavelmente a habitação do próprio Kuttamuwa, longe do palácio real.

Na inscrição se pode ler: “Eu, Kuttamuwa, servo de Panmuwa, sou aquele que cuidou da realização desta stele para mim mesmo, enquanto ainda vivia. Coloquei-a num quarto eterno (?) e realizei um banquete nesta sala (?): um touro para (o deus da tempestade) Hadad, um bode para o (rei do sol) Shamash, e um bode para a minha alma que é nesta stele”

O texto foi escrito em carácteres do alfabeto fenício e num dialeto semítico ocidental paracido com o hebraico e aramaico.

Há dois motivos importantes que criam interesse por esta descoberta. O primeiro é que se trata de uma objeto arqueológico que provém de um reino contemporâneo a Israel antigo, com quem condividia características linguísticas e culturais. Outro aspecto é o tema das crenças existentes naquela época, a idade do ferro, sobre a vida depois da morte. Essa pedra revela que havia a crença que a alma habitasse no monumento em que estava esculpida a imagem e onde eram colocadas as últimas vontades do defunto. Além disso há escrito a ordem aos descendentes de prover o alimento para a alma do defunto. Foram encontrados restos de alimentos e jarras que comprovam que durante algum tempo essa ordem foi executada.

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