A pergunta completa do nosso leitor se encontra aqui em seguida:

Pesquisei muito sobre promessas e se é de fato válido fazê-la. Às vezes faço promessa sem 'pensar' e depois acaba sendo muito difícil de cumpri-la. Sempre cumpri todas as minhas promessas, mas recentemente fiz uma da qual me arrependo por ser muito longa e difícil de cumprir. Li que a maior promessa que podemos fazer é fazer orações para Deus e agradecer todos os dias. Posso alterar a minha promessa? Já rezei me desculpando. Não pretendo fazer outras promessas, pois entendi que o importante para Deus é nossa devoção e amor, mesmo assim parece que vou cometer um pecado se não cumprir minha promessa. Preciso de uma luz...

Começo respondendo diretamente que as promessas são válidas e representam uma forma pedagógica do fiel se aproximar de Deus. A infidelidade a elas denuncia o nosso limite, mas não nos impede de continuar caminhando no seguimento de Cristo.

A nossa relação com Deus normalmente se inspira nas relações que temos com as pessoas. No casamento, por exemplo, prometemos à nossa noivo/a fidelidade para sempre. Quando há uma separação, essa promessa falha e provoca muito distúrbio. Se prometo algo a Deus, acreditamos seguir a mesma lógica. Todavia há um princípio em relação à atitude divina que não é igual às relações humanas. Deus é fiel sempre, não muda nunca de opinião sobre nós. Temos que abandonar a ideia segundo a qual podemos condicionar o comportamento divino graças às nossas ações. Deus não precisa de nossa promessa e tão pouco precisa do nosso culto. Tudo o que fazemos em relação a atitudes dignas e próximas aos ensinamentos da Bíblia tendem a nos aproximar de Deus, uma lacuna devida exclusivamente a nós e não certamente a Deus, que é sempre próximo de nós. Deus já nos salvou e sua ação é perfeita, completa. Somos nós que devemos aceitá-la ou não. Aquilo que fazemos ajuda a realizar o percurso de aceitação, ajuda a santificar a nossa vida e nos aproximar de Deus.

Acredito que as promessas que fazemos podem ser uma maneira pedagógica que nos permitem incrementar nosso caminho de santificação, transformando-nos na direção de Deus. Para julgar se uma promessa é válida ou não, perguntemo-nos até que ponto esse é seu objetivo.

Acredito que há promessas de vários tipos: algumas são para sempre e outras são passageiras. Aquelas que são para sempre, quando rompidas, provocam danos a si mesmo, nunca a Deus. Os danos provocados podem ser sempre reparados, mas permanecem como memória do nosso limite. Nosso limite deve também considerar a imensa misericórdia divina.

Termino sublinhando ainda uma vez que Deus não muda o seu modo de se relacionar conosco por causa de uma ação nossa! Deus é imutável e ama sem condição. O seu amor não depende da nossa adesão a Ele. Através de Cristo nos salvou independente de nós; a sua graça é um dom completamente gratuito e não existe uma maneira de "comprá-la". Pensar que podemos condicionar a vontade de Deus em relação a nós graças a uma promessa, que pode ser como uma  "ameaça", é entender mal o que Ele é; Deus não se compra e não se deixa condicionar, no bem e no mal, por nossas ações.