A história do sacerdócio do Antigo Testamento é complexa e teve um desenvolvimento paralelo à evolução da sociedade e das suas estruturas sócio-políticos. Se considerarmos também o fato que os livros do Antigo Testamento foram escritos num período de tempo muito longo, por diversos autores, com diferentes tendências, não podemos estranhar de encontrar informações diferentes e, às vezes, em contraste sobre o sacerdócio.

Fazendo um resumo geral e breve da questão, podemos falar de diversas categorias de sacerdotes. Existiam, no tempo dos patriarcas, os sacerdotes dos santuários locais, mas não eram os únicos sacerdotes; Abraão, por exemplo, oferece sacrifícios. Durante a monarchia, o sacerdócio de Jerusalém é organizado, torna-se hereditário e vem ligado à monarquia. Jundo com os levitas havia também os aaronitas (às vezes identificados comos levitas) e os sadozitas (descendentes de Sadoc).

Samuel, filho de Elkana e Ana, pertencia à tribo de Efraim, portanto era um levita. No seu nascimento, a mãe o ofereceu ao Senhor e o jovem ficou ao serviço do sacerdote Eli, morando com ele no quarto próximo ao santuário de Silo, onde então residia a Arca da Aliança. Em 1Samuel, Samuel parece englobar 3 funções fundamentais: é juiz, profeta e chefe civil: “Samuel foi juiz de Israel durante todo o tempo da sua vida” (1Samuel 7,15-17); foi sacerdote e, como tal, intercede em favor do povo e oferece sacrifício (1Samuel 7,9). Finalmente é profeta, pois transmite a Palavra de Deus. O seu sacerdócio é de origem profética. A sua atividade é espiritual, mas com com influência também na vida política.